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VARIEDADES

17/11/2021 12:06

Especialistas esclarecem tudo sobre o parto prematuro e as necessidades especiais das mães e dos bebês

Durante a gravidez, a idade gestacional está entre as inúmeras preocupações de uma mãe (de primeira viagem ou não), afinal, “uma gestação deve variar de 38 a 42 semanas. Quando o parto acontece antes desse tempo, é prematuro”, conforme explica Waldemar Carvalho, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana.
A prematuridade corresponde a 12,4% dos nascidos vivos no Brasil, segundo dados do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Ministério da Saúde. Esse fator pode comprometer a saúde e vida dos bebês, inclusive é considerado a principal causa de morte em crianças nos primeiros 5 anos de vida no país, de acordo com nota publicada em 2019 pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Diante da vulnerabilidade dessa condição, o Dia Mundial da Prematuridade é celebrado nesta quarta-feira (17), e para propagar a conscientização desse tema, especialistas esclarecem à IstoÉ os principais pontos de atenção.Graus de prematuridade e seus riscos
O nascimento prematuro é aquele que acontece antes de 38 semanas de gestação. Os ricos dessa condição tendem a variar conforme o grau de prematuridade; listados a seguir pelo obstetra:

• 37 semanas: segundo Waldemar Carvalho, o parto realizado uma semana antes do tempo considerado normal não indica grande interferência na saúde do recém-nascido.• 34 a 36 semanas: considerada prematuridade tardia. “Tem um melhor prognóstico, pois o peso do bebê é melhor”, explica o especialista.

• 29 a 33 semanas: prematuridade moderada. Dentro desse tempo, a criança pode nascer com até 1 quilo e meio, e algumas sequelas podem acontecer devido aos cuidados neonatais (depois do nascimento).

• 28 semanas ou menos: considerada prematuridade extrema. Carvalho reforça que nessa fase os órgãos não estão bem desenvolvidos, o que aumenta os fatores de riscos.

Motivos que desencadeiam o parto prematuro e como evitá-los
Em gestação gemelar, a prematuridade tende a ser um fator comum. Além dessa condição, existem outros variados motivos que desencadeiam o parto antes do tempo. O especialista em reprodução humana divide em dois tipos: clínico materno e anatômico.
Comumente, os problemas clínicos com a mãe durante a gestação são diabetes e hipertensão. A síndrome hipertensiva, que gera a eclâmpsia e/ou pré-eclâmpsia, ocasiona a prematuridade extrema. Outras condições que podem fazer com que o bebê tenha que ser retirado antes do tempo são acidentes e câncer durante a gravidez, sangramento por deslocamento da placenta ou placenta com inserção no colo do útero, ou problema com o desenvolvimento do feto.

Entre as causas anatômicas, uma das mais comuns é a ruptura da bolsa, “por problema da própria bolsa ou devido à infecções, corrimento ou excesso de volume do líquido”, explica. O colo do útero também pode ser uma ameça à prematuridade, por isso, a partir de 20 semanas de gestação, é preciso medi-lo periodicamente através de ultrassom, pois nessa fase é possível identificar a prematuridade e realizar medidas preventivas recomendadas pelo obstetra, como a cerclagem ou repouso.

“Esses são os casos mais comuns, mas existem diversos outros fatores que podem gerar a prematuridade”, esclarece Waldemar.

Embora nem tudo seja previsível, o melhor método de evitar essa situação é realizar o pré-natal e seguir todas as orientações de seu médico.

Riscos para a mãe e o bebê
Em caso de prematuridade tardia, os riscos são baixos. Carvalho explica que nesse caso, normalmente, existe desconforto para o bebê respirar, que pode ser tratado com reposição de oxigênio num sistema isolado. Os demais graus de prematuridade são mais complexos e merecem maior atenção, porque podem trazer sequelas para a criança, como quadros infecciosos.

“Como o pulmão é o último órgão a se desenvolver, ele fica muito frágil, por isso o bebê precisa ficar na UTI. Na prematuridade extrema ocorre diversos riscos, os mais graves são a hemorragia intracraniana e o armazenamento de sangue no intestino, que podem levar o prematuro à morte”, pondera.

Sandi Sato, pediatra da Maternidade Brasília, garante que as mães não costumam ser o foco do risco, exceto quando o fator que desencadeou o parto prematuro também comprometa a saúde da mulher, como hipertensão ou acidente.

Como é conduzido o parto prematuro
A via de parto prematuro precisa ser avaliada individualmente pelo obstetra, com base no motivo que ocasionou o nascimento antes do tempo previsto e a fragilidade do bebê, visto que ossos da cabeça não estão totalmente formados. “O mais importante é se preocupar com a qualidade de nascimento. Nesse caso, muitas vezes o mais indicado é a cesárea”, destaca Waldemar.


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