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31/08/2021 16:38

MPF: médicos filmaram pagamento de propina a agentes públicos

Ex-diretor geral das empresas Proclin e Qualycare, alvos da Operação Sangria, Marco Aurélio Carvalho Cortes relatou à Polícia Federal a prática de pagamento de propina a agentes públicos entre 2012 a 2015.

Entre os que receberam propina, segundo ele, está o ex-secretário de Estado de Saúde Jorge Lafetá, que atuou na gestão do ex-governador Silval Barbosa.

Marco Aurélio disse que até mesmo recomendou - e as empresas instalaram - uma câmera escondida no local onde a propina era repassada aos “agentes públicos”, em uma sala no edifício Santa Rosa Tower.

Os valores eram emitidos em cheques da Proclin e sacados na boca do caixa, cerca de dois dias após a liquidação da fatura pelo cliente público

Os sócios das empresas, Huark Douglas CorreiaFabio LiberaliMarcos Godoy e Luciano Correia Ribeiro foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) e são réus, acusados de fazer parte de uma organização criminosa e embaraçar as investigações.

Durante o inquérito policial, Marco Aurélio Carvalho Cortes afirmou todos os sócios tinham ciência da instalação da câmera escondida, mas que o único que viu mexendo efetivamente na câmera foi o médico Fábio Liberali.

Segundo denúncia do MPF, as empresas pagavam propina para obter contratos com dispensa de licitação em serviços de saúde, além de dominar o mercado e evitar a concorrência de outras empresas.

À polícia, Marco Aurélio Carvalho Cortes disse que Jorge Lafetá recebeu propina de R$ 20  mil por contrato.

Boca no caixa

Ele explicou que os pagamentos a Lafetá se davam da seguinte forma: os valores eram emitidos em cheques da Proclin e sacados na boca do caixa, cerca de dois dias após a liquidação da fatura pelo cliente público. Os pagamentos eram sempre em espécie.

O ex-secretário de Saude Jorge Lafetá, acusado de receber propina

Em outro caso, ele disse à polícia que no caso do Hospital São Benedito, o pagamento de propina se dava de outra forma: Lafetá tinha participação de 1/3 (um terço). Neste caso do Hospital São Benedito, ele esclareceu que o contrato foi firmado com sobrepreço.

Marco Aurélio disse que quando Jorge Lafetá saiu do cargo público, os pagamentos de propina não cessaram, pois eles continuariam enquanto os contratos com o poder público e o grupo empresarial perdurassem.

Segundo ele, todos os sócios sabiam do pagamento de propina, que “acabou se tornando corriqueira”, no sentido de que todo mês havia esse pagamento, tanto em relação ao contrato com o Hospital São Benedito, como em alguns outros.

Marco Aurélio relatou no inquérito policial que esteve em ao menos três reuniões, ao lado de Huark Douglas e Fábio Liberali, para tratativas e ajuste de pagamento de propina a agentes públicos.

Fac-símile de trecho de documento do MPF:

Em juízo, Marco Aurélio disse que trabalhou na Proclin e na Qualicare  de 2012 a 2015. Ele relatou que foi desligado em razão de desentendimentos relacionados a uma propina de R$ 35 mil paga por Marcus Godoy.

Ele disse também que as empresas tinham muitos contratos com poder público e que “normalmente era por dispensa de licitação”. E reforçou que, enquanto esteve no grupo, não houve nenhuma licitação, sendo os contratos todos celebrados após dispensa licitatória.

Marco Aurélio relatou ainda que, em uma situação específica, recebeu a proposta de levar todos os meses propina em dinheiro, no valor de R$ 250 mil para celebração de um contrato em Sinop.

Alegações finais

Os médicos Luciano Correia Ribeiro e Huark, também acusados de esquema

Além de Luciano, Fábio Liberali e Huark Correa, o MPF também pediu a condenação de Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo e Celita Natalina Liberali Weissheimer.

Todos são acusados de organização criminosa e de embaraçar investigação.

Conforme o documento, o grupo agiu para atrapalhar as investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde instaurada na Câmara de Cuiabá, em 2018, durante a primeira gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). 

Em setembro daquele ano, o grupo descobriu que a CPI passou a investigar os indícios de que Huark, então Secretário Municipal de Saúde, seria sócio oculto da Proclin.

A empresa mantinha contratos com a Prefeitura de Cuiabá para prestação de serviços em hospitais públicos.

 Fonte:https://www.midianews.com.br/


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