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Opinião

27/05/2019 14:36

Saiba como pedir demissão sem fechar portas

Profissional deve avaliar se é possível alguma mudança interna, como reajuste do salário ou um desafio novo

Surgiu uma oportunidade melhor, a família vai mudar de endereço ou, simplesmente, você está insatisfeito com o atual emprego . Por mais justificáveis que sejam os motivos para pedir demissão , a hora de romper é sempre delicada. A decisão da saída , a insegurança do que está por vir e o papo com o chefe: tudo pesa nesse momento.

 

O primeiro passo é ter certeza da demissão . Adriana Cambiaghi, diretora executiva do Grupo Cia de Talentos e da startup Bettha, recomenda que o profissional avalie se é possível alguma mudança interna, como reajuste do salário ou um desafio novo.

 

— Faça as seguintes perguntas para si: Eu gostaria mesmo de deixar esse trabalho? Que imagem eu quero deixar para o empregador? Com base nestas questões, o profissional já pode construir uma estratégia eficaz para sair do seu trabalho. O primeiro e principal conselho é deixar a porta aberta, sempre.

 

Seguro da saída, o próximo passo é falar com o chefe direto e, em seguida, com o RH, para resolver as questões burocráticas.

 

— O departamento de Recursos Humanos estará apto a resolver os processos formais do desligamento, mas antes dele ser acionado é importante e respeitoso informar ao gestor direto, que é quem está efetivamente próximo da rotina de trabalho do profissional — sugere Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa do Grupo Talenses.

 

Papo com o chefe

Na conversa com o chefe, seja franco sobre o motivo da sua saída.

 

— Explique os motivos do desligamento trazendo colocações objetivas , e evitar aspectos de julgamento e de opiniões. É importante mostrar maturidade em um momento como esse — afirma Wilma Dal Col, diretora do ManpowerGroup.

 

Adriana diz que, caso a demissão seja for um problema pontual, como uma falta de perspectiva daquele momento, vale a pena abrir o jogo e explicar o que está se passando, para entender as reais possibilidades do que o empregador pode fazer. Caso não tenha jeito, a orientação é alinhar a data da saída e a transição, seja para treinar alguém ou finalizar tarefas que ficarem pendentes:

— Ao sair, pergunte sobre o que precisa realizar, programar ou completar para ir com integridade. Mantenha-se fiel à narrativa sobre o caminho para o qual você está indo. Isso dá à empresa um retorno importante sobre suas lacunas e oportunidades para reter talentos. E, por fim, um agradecimento formal por e-mail a todos também é bom.

 

Um outro ponto da saída é sobre as tarefas e a participação do funcionário nas atividades da empresa. Para Vianna, mesmo que cumprindo aviso prévio, ele pode participar normalmente de reuniões e receber e-mails. Já quando os assuntos forem muito estratégicos ou sigilosos, sua presença, em geral, é dispensável.

 

— É importante também que a empresa aproveite esse momento para comunicar aos clientes sobre a saída do profissional. E, além disso, decida o quanto antes quem vai substituí-lo, para que haja a menor perda de qualidade e produtividade possível.

 

Erros mais comuns

Segundo Adriana, o erro mais comum no pedido de demissão é deixar de trabalhar de forma produtiva ou sair repentinamente. Outros deslizes, diz, são sair falando mal de líderes para os colegas e para o mercado, e deixar a equipe na mão.

 

— Se, logo de cara, o profissional achar que não conseguirá realizar as entregas finais de forma comprometida, nós sempre sugerimos uma conversa clara e direta com o principal gestor. Não falte, não chegue tarde para sair cedo e honre seus compromissos, pois essa imagem final é a que ficará na cabeça do empregador.

 

A executiva acrescenta que é importante não cair na famosa pressão do novo empregador — “preciso que você comece amanhã". Assuma que tentará estar com eles o quanto antes, mas que você não quer deixar seu atual empregador na mão. O novo empregador vai entender e muitas vezes até valorizar essa atitude.

 

Vianna destaca que aproveitar o momento do pedido de demissão para forçar uma contraproposta ou lavar a roupa suja também não é aconselhável.

 

— Não é a hora de falar de tudo que não aprovava na empresa, e muitas vezes nem tinha sido apontado anteriormente. O ideal é que a saída seja realizada da forma mais cuidadosa possível, e que as relações continuem cordiais.

 

Wilma observa que, legalmente, o funcionário pode, sim, sair de um dia para outro. Mas lembra que é preciso considerar o impacto que isso vai causar na empresa e na equipe.

 

O mais recomendado, segundo ela, é que se faça uma negociação com a empresa contratante, sendo o ideal um mínimo 15 dias para o início da mudança.

 

De acordo com uma pesquisa da Robert Half, a contraproposta é usada sempre ou com bastante frequência por 59% dos executivos entrevistados. Outros 35% afirmam usá-la de vez em quando, e apenas 9% dizem não usar ou usar raramente este recurso.

 

A prática, comum, deve ser encarada de forma muito cuidadosa. Se não for o caso do profissional já ter conversado com o chefe sobre a insatisfação financeira, pode soar que o funcionário quer só barganhar, sem qualquer critério.

 

No caso de uma contraproposta, eles sugerem que o profissionais estejam abertos para ouvir e, se considerarem pertinente, até tirem uns (poucos) dias para pensar. O importante é ser transparente e não ficar de joguinho para ver quem dá mais.

 

— Esteja aberto para ouvir o que a empresa pode oferecer para evitar a sua saída. Porém, não se esqueça das razões principais que te levaram ao pedido de demissão — lembra Adriana.

 

Vale destacar que, assim como o profissional deve ter uma postura madura com a empresa e com os colegas ao pedir sua saída, as companhias também devem agir com o devido respeito e consideração.

 

Para o RH, pode ser apenas uma matrícula. Mas por trás há uma história, uma vida e, muitas vezes, uma família que está sendo forçada a se reinventar e m uma nova realidade.


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Marcos Davi Andrade

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