Cuiabá (MT), 15 de setembro de 2019 - 18:08

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JUSTIÇA

09/09/2019 15:08

Avó que lutou por indenização para a neta chora: “Quero justiça”

Por 12 anos, a merendeira Claudina Chue lutou na Justiça para que o Hospital Santa Helena, em Cuiabá, indenizasse a neta dela pela morte da mãe, Poliane Chue Marques, após complicações no parto.

A luta se encerrou neste ano, depois que a Justiça encerrou o processo e condenou o hospital a pagar R$ 800 mil à filha de Poliane, de 11 anos.

O que era para ser motivo de alegria, porém, se transformou em tristeza.

O valor da indenização despertou o interesse da madrasta da criança que, conforme a Polícia Civil, matou a menina com uso de um veneno com venda proibida para poder ficar com o dinheiro.

MidiaNews contou, em 2016, a história da filha de Claudina e a briga que a avó travou na Justiça para conseguir a reparação para a neta (leia mais AQUI).

A madrasta, de 42 anos, foi presa nesta segunda-feira (9) após investigações da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica).

Eu não me conformo com o que fizeram com ela. Sinto uma dor imensa. Como pode fazer isso com a vida de uma criança inocente?

“Eu lutei tanto por essa indenização. Não que isso fosse trazer minha filha de volta, mas pelo menos daria um futuro melhor para a minha neta. Eu não me conformo com o que fizeram com ela", lamentou Claudina.

"Sinto uma dor imensa. Como pode fazer isso com a vida de uma criança inocente?”, disse a merendeira, chorando. 

A merendeira lembrou que a neta ficava sob cuidados dos avós paternos. Em 2017, a avó morreu e, no ano seguinte, 2018, o avô paterno também faleceu. A partir daí, a menina passou a ser criada pelo pai e a madrasta.

A merendeira afirmou que nunca confiou na mulher e até chegou a tentar a guarda da neta.

“Eu contratei um advogado para ‘tomar’ ela, mas como ela gostava demais do pai, eu fiquei com dó”, disse.

Para ela, o pai também tem que tem que ser responsabilizado pela morte da neta.

“Com certeza ele tem que ser preso, porque não é possível que ele não enxergava o que a mulher fazia com a menina. Depois que a minha neta passou a morar com eles, ele [pai] se tornou uma pessoa muito agressiva. Parece que era mandado pela mulher” disse.

“Eu falo isso porque se a gente é casado com uma mulher e tem uma filha com outra pessoa, a gente tem que desconfiar de tudo. Mas não, ele passou toda a responsabilidade, tudo para a mulher. Então, ele também tem que pagar pelo erro”, afirmou.

Muito emocionada, Claudina pediu que a Justiça seja feita contra os dois. 

Quero também que o pai pague pelos seus erros. Como ele vem dizer que não sabia? Não existe isso. Por que ele não deixou a menina comigo?

“Eu quero que ela pague por tudo que fez a minha neta. Uma menina linda, que tinha uma vida inteira pela frente. Quero também que o pai pague pelos seus erros. Como ele vem dizer que não sabia? Não existe isso. Por que ele não deixou a menina comigo? Quantas vezes eu pedi”, disse. 

Maus-tratos

Segundo Claudina, depois que neta passou a morar com o pai e a madrasta, ela foi proibida de ver a menina. Antes, a menina passava pelo menos 15 dias com ela.

Nas poucas vezes em que a merendeira conseguiu ver a neta, a criança teria contado que era maltratada pela madrasta.

“Ela ficou muito abalada quando ela [madrasta] cortou o cabelo dela sem nenhuma autorização, para ela [a neta] não ficar parecida com a minha filha, a mãe dela”, contou.

Conforme a merendeira, até quando a menina estava no hospital - a criança foi internada por nove vezes por conta do uso do veneno -, o pai e a madrasta a impediam de vê-la.

“Eu tenho até um boletim de ocorrência porque eles me barraram de ficar com ela no hospital. Eu fiquei no máximo umas quatro vezes só e porque eu insistia muito”, disse.

Entenda o caso

No dia 14 de junho, a criança morreu de causa até então indeterminada. Ela deu entrada em um hospital particular já em óbito.

Inicialmente, houve suspeita de meningite, bem como de abuso sexual, pois havia inchaço na genitália. Mas a necropsia do Instituto de Medicina Legal (IML), da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), descartou o estupro.

Nos exames realizados pelo Laboratório Forense, mediante Pesquisa Toxicológica Geral, foram detectados no sangue da vítima duas substâncias, sendo uma delas um veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.

"Essa substância não é encontrada em medicamentos, portanto sua ingestão por humanos somente pode ocorrer de forma criminosa. Os sintomas da sua ingestão são visão borrada, tosse, vômito, cólica, diarréia, tremores, confusão mental, convulsões, etc.", explicaram os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi, que conduzem as investigações.  

Conforme os delegados, as investigações apontam para autoria da madrasta. "Notamos que a menina era envenenada a conta-gotas, ou seja, ela ia dando um pouquinho do veneno, para não aparecer, porque chega no hospital, a criança está passando mal, morre de causa indeterminada, por alguma infecção, pneumonia, meningite, como muitas vezes suspeitaram", salientam.

Os delegados informaram que todas as vezes em que a menina passava mal era socorrida e levada ao hospital. Lá ficava internada 3 a 7 sete dias e melhorava, em razão de ter cessado a administração do veneno. Mas ao retornar para casa, voltava a adoecer novamente. O sofrimento durou cerca de dois meses, período em que a menina ficou internada por nove vezes em hospitais particulares.

Fonte:https://www.midianews.com.br


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Marcos Davi Andrade

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